Sábado, Novembro 21, 2009

Conversa de janela

Tem horas que é quase impossível não prestar atenção na conversa alheia.

Estou eu aqui em casa, e do nada ouço uma questão que estava intrigando o pessoal das redondezas.

- kajskladskljasldjas.
- Vou ver. FULAAAAAAAANO! ELE ERA O QUE MEEEEEEESMO?

O sabe-tudo responde:
- EX-GOVERNADOOOOR.

A que perguntou repassa a resposta:
- ELE ERA EX-GOVERNADOOOR!
- Ah, tá.

Sabe, foi gente assim que votou nele. Certeza.

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Síndrome do Balcão de Informações

Não sei qual o critério que a maioria das pessoas usa para escolher quem será o indivíduo abordado por elas no momento de se pedir informações. Se é que existe algum critério.

Eu tenho um e somente um (me senti nas aulas de matemática agora: a parábola se formará no primeiro quadrante do plano cartesiano se e somente se x²=3) critério para isso: distância. Sempre vou abordar a pessoa que estiver mais próxima de mim, a não ser que ela tenha muita cara de psicopata.

Acontece que eu sofro da chamada Síndrome do Balcão de Informações (Crisóstomo, C.S., 2009). Explico: em qualquer local que eu esteja, e de qualquer forma que eu estiver vestida, é sempre para mim que vão pedir informações. Não importa se eu estou sozinha ou acompanhada, nem se existe outra(s) pessoa(s) dentro de um raio de 100m de mim. Pedem informação para mim.

Seguem alguns dados empíricos (quão redundante é isso?).

1) Certa vez fui fazer uma entrevista num canto aqui de São Paulo que eu nunca tinha ido. Como toda pessoa de bom senso deveria fazer, procurei no guia o local e dei uma analisada nos arredores, para saber como chegar, como sair, qual ônibus pegar, essas coisas. Na volta tive carona de mãe, e enquanto esperava num posto de gasolina lotado de gente, uma pessoa parou do meu lado e disse:
- Onde fica a rua tal?
- Ah, pega ali a segunda direita.

Menos de cinco minutos depois, para um carro. Em mim, e não nos cinco trilhões de funcionários do local:
- Como faço pra chegar na avenida tal tal tal?
- Segue aqui em frente, vai ter uma rotatória, e a partir dela essa avenida aqui muda de nome, vai ser essa aí que você está procurando.
- Obrigada.

Relembrando que eu não morava ali nem conhecia o local até poucas horas antes de estar ali.

2) (Este acontece bastante, pelo menos duas vezes por semana) Estou parada na plataforma do metrô. Existem pelo menos mais três pessoas perto de mim. O indivíduo atravessa a frente das três pessoas e vem perguntar para mim se aquela é a linha que desce no Brás (insira qualquer estação alternativa aqui).

3) Estou viajando no exterior, faz só dois dias que eu cheguei e ainda não conheço quase nada, só sei o caminho do ônibus que teria que pegar durante o mês quase inteiro. Um local passa por diversas pessoas e vem perguntar para mim onde fica a rua x.

4) Estou visitando pela primeira vez a Capitar. Primeira vez que saio sozinha. Estou na parada de ônibus, e pouco antes de desistir de esperar para fazer meu percurso a pé um local me pergunta se naquela parada passa o ônibus XY-000. Havia pelo menos mais oito pessoas na parada.

5) Estou visitando pela primeira vez uma capital do Nordeste brasileiro. Estou acompanhada dos meus amigos locais, numa parada de ônibus lotada. O transeunte vem perguntar para mim qual ônibus passa no bairro AiMeuDeusNãoSeiOnde.

Estes são só alguns exemplos. Sem mencionar o número de vezes em que sou abordada no meu local de trabalho (mais compreensível, uso crachá etc), principalmente quando há pessoas nos outros balcões que também estão disponíveis e o desifeliz vem parar no meu para pedir informações.

O que ainda não foi descoberto pelos cientistas que pesquisam a SBI são os fatores necessários para que ela se desenvolva. Se alguém souber, tratar aqui.

Domingo, Outubro 04, 2009

Pequenas torturas diárias

Quando se vai aos mesmos lugares nos mesmos horários (principalmente usando o transporte público) quase invariavelmente se vai encontrar as mesmas pessoas. Logo na primeira semana do meu atual emprego, reparei que veria um certo pessoalzinho sempre (e que isso não necessariamente seria bom).

Conheci umas pessoas legais que me ofereciam comida, outras que me davam dicas de leitura e filmes, outras que demorei séculos até descobrir o nome (e de forma bem inusitada) e que são agradabilíssimas.

Mas tem um que peloamordedeus. Logo de cara me incomodou o fato de que ele é muito parecido fisicamente com o último indivíduo que de alguma forma posso chamar de "ex". Muito parecido mesmo. Isso ativou algo no meu cérebro responsável por liberar pensamentos de "que idiota eu sou" a cada cinco minutos, coisa nada agradável. Feliz era eu quando pensava que era só isso. O infeliz além de ser parecido com ele tem o mesmo jeito de falar e a mesma mania de conversar com todos que estão a seu redor, independente de conhecê-los ou não. E quando ele faz isso, ele fala com o ônibus inteiro. É um saco, não consigo ler, ele fala alto pra caramba. No meu "ex", isso era engraçado. Nesse cara, é só irritante demais. Não, ele não fala comigo. Acho que a essa altura do campeonato ele já se tocou que eu não vou nem um pouco com a cara dele. Sempre é difícil ler ou ouvir minha música quando o infeliz tá por perto.

Esse ônibus me leva pra onde mesmo? Ah, pro trabalho. Chego lá no novo horário velho e sou obrigada a conviver com uma pessoa que não me descia, não sei explicar bem porquê. Será que era a grosseria gratuita? Ou o corpo mole? Não sei. Sempre que podia, eu evitava ficar perto. Infelizmente, tem horas que não dá. E foi assim que eu percebi duas coisas: 1) o cara não é tão má pessoa assim. Aliás, ele não é má pessoa. Aliás, ele é até bem legal, e uma das pessoas mais sensatas daquele recinto agora, uma das poucas com quem consigo conversar com gosto. 2) O desgraçado tem praticamente o mesmo cheiro de uma das minhas últimas paixonites agudas. Um dos poucos cheiros que se eu pudesse colocava num vidrinho e guardava pra sempre.

Quer mais? Coloque uma pessoa que adora estar "em trânsito" pra trabalhar num local onde as pessoas viajam e ela fica. O quadro de torturas está quase completo agora.

Pode encomendar a sala de espelhos cheia de borboletas e mariposas, eu deixo.

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Faça um desejo

Ontem fizemos parte, meio em cima da hora, da realização do sonho de alguém. Explico: existe uma ONG que escolhe (gostaria de saber exatamente como) crianças em estado terminal para que tenham um desejo realizado, com a ajuda de grandes empresas. A empresa em que trabalho (o mais correto seria dizer à qual presto serviços, mas divago) fez parte disso pela primeira vez no Brasil agora, dando de presente para um garotinho, o Enzo, de seis anos, uma viagem pra Disney.

Ele sabia que tinha ganhado a viagem, mas aparentemente não sabia que no momento do embarque dele uma festa o aguardava. Com direito a muita bagunça, check-in enfeitado, funcionário fantasiado de Homem-Aranha (personagem preferido do Enzo), bolo e comes e bebes no portão de embarque e menu especial durante o voo. Foi uma festança só, e outros passageiros entraram na dança também.

Eu vi a coisa um pouco mais de longe, por vontade minha, ajudei mais nos bastidores. Quando foi dito pra gente o que aconteceria durante a operação, eu estava empolgada e doida pra fazer festa com ele também. Mas quando ele chegou, me deu um nó na garganta. O engraçado foi que até ele chegar, ninguém tinha perguntado (pelo menos pra mim) o motivo de tanto enfeite no check-in. Só me perguntaram quando ele chegou e todos começamos a bater palmas, e eu quase não consigo explicar o motivo daquilo tudo.

Depois disso, vários me perguntaram. E eu tinha sempre a mesma sensação ao responder, de que se eu explicasse mais um pouquinho eu ia me afogar em lágrimas e não conseguiria mais trabalhar. E toda vez que eu explicava, as pessoas tinham a mesma reação, todos falaram as mesmas frases: "Nossa, até me arrepiei agora. Ele tá no mesmo voo que eu?". E os que me perguntaram estavam sim no mesmo voo que ele, e com todos eles foi difícil continuar meu trabalho.

Até agora não sei responder se senti tudo isso porque acho legal que coisas como essa aconteçam ou se porque me questionei demais sobre o assunto. Vai ver é por querer poder realizar os desejos dos Enzos mais próximos a mim.

Domingo, Setembro 13, 2009

Troco

Sou daquelas pessoas metidas a modernas e práticas que odeiam transitar por aí com papel-moeda. Isto é, para mim, um mecanismo para que eu gaste menos com miudezas que geralmente só podem ser pagas em cash, porque senão gasto um realzinho aqui, outro ali, e quando vou ver aquela grana que acabou de sair do caixa eletrônico não está mais nas minhas mãos.

Ontem foi um dos poucos dias no mês em que me permiti reabastecer a carteira. Eu mal podia imaginar que uma "surpresa" me aguardava.

Fui comprar pão de queijo e peguei o troco sem conferir. Como a carteira estava difícil, joguei tudo no bolso. Chegando em casa, fui arrumar tudo, quando me deparei com uma coisa verde no meio das notas. Ato contínuo, separei a nota verde, olhei bem pra ela e guardei numa caixinha que comporta relíquias como um bilhete de metrô edição comemorativa dos 450 anos da cidade, portanto separada de todo e qualquer dinheiro que possa ser gasto. Foi automático, instantâneo.

Dois segundos depois, me vieram as palavras na mente, numa voz que muito raramente ouço (confesso que isso torna uma parte da minha humilde vidinha mais miserável inclusive) dizendo: "Esta aqui não vou gastar. Quanto tempo faz que você não vê uma nota de um real?".

Nada se cria, tudo se copia, já diziam por aí. O problema é quando a cópia e descarada e inconsciente.

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Confesso

Vocês dois fazem uma falta absurda.

Sábado, Agosto 29, 2009

Sábado de sol

Saber que você vai ter que acordar às 5h num sábado pra trabalhar sendo que todos os outros dias da semana estava acordando depois das 9h30 é um pouco chato. O legal é que você sabe que vai sair meio-dia e ainda tem o dia todo pra sair, descansar, fazer o que der na veneta, afinal pras pessoas que não trabalham aos fins de semana ao meio-dia tudo está só começando. Ainda mais num dia bonito que nem foi hoje.

Agora ter que acordar nesse mesmo sábado às 3h30, para entrar no serviço às 4h15 e atender 400 passageiros nervosos de voos cancelados do dia anterior (cujos aviões foram parar bizarramente em Brasília) mais os 240 que já seriam atendidos normalmente (e que também foram ficando nervosos) com pouquíssima gente pra fazer isso é MUITO chato.

Fazer um aeroporto num local chamado Nuvem Baixa (Cumbica) só poderia dar nisso mesmo. Depois português que é burro.

Vou ali dormir de novo pra acordar às 5h amanhã. O corpo dói, a cabeça dói, quando dormi assim que cheguei só sonhei com a porcaria do aeroporto e os voos sendo cancelados e os passageiros ficando putos e com razão. Sai desse corpo que não te pertence.